Recentemente o Linkedin anunciou que haverá um botão de denúncia para textos de IA. Essa decisão foi feita com o intuito de frear a proliferação do AI slop. Nesse post, nós da Hosting Machine vamos falar mais sobre essa situação, o que é AI slop e quais são os riscos do AI slop.
AI slop – Linkedin cria botão de denúncia à textos de IA
O que é AI slop?
Em suma, AI slop, ou “lixo de IA”, são conteúdos de baixa qualidade, produzidos em massa por IAs e com pouca ou nenhuma supervisão humana. Esse termo abrange desde textos genéricos e redundantes até imagens bizarras e vídeos automatizados. Onde o único propósito desse tipo de conteúdo é inundar feeds, manipular os algoritmos de recomendação, gerar engajamento e até uma receita passiva.
Diferentemente do spam tradicional, o slop apresenta até uma boa fluência sintática superficial. Dessa forma, os filtros convencionais tem dificuldade de identificá-los. Além disso, a proliferação desse tipo de material poluí navegação online. Já que, ao invés de enriquecer o ambiente de conhecimento, o AI slop prioriza o volume bruto sobre a precisão ou o valor real.
Por que o Linkedin achou necessário criar esse botão?
Decidiram implementar um botão de denúncia por conta do crescimento desenfreado de publicações automatizadas e inautênticas na plataforma. Principalmente porque essas postagens mesmas começaram a poluir o feed da rede. Algumas pesquisas mostraram que aproximadamente 41% dos posts longos e 30% das publicações curtas passaram a ser gerados por sistemas de IA.
Além disso, a proliferação desses materiais começaram a ameaçar o valor de marca da plataforma. Já que comentários e postagens robotizadas criaram um ecossistema de engajamento falso, consequentemente inflacionando as métricas de visibilidade, sem agregar um valor real para os usuários. Assim, para proteger a reputação do feed e restaurar a confiança dos usuários, a plataforma percebeu que era importante permitir que a própria comunidade sinalizasse conteúdos artificiais. Dessa forma, eles ajudam os algoritmos a priorizar produções humanas autênticas ao invés do conteúdo gerado por máquinas.
Como funcionará?
A nova função estará no menu de três pontos, que estão presentes em toda publicação da rede, com o botão “Parece lixo de IA“. Quando selecionado, o post é ocultado imediatamente do feed do usuário que realizou a denúncia. Embora não resulte na exclusão automática da publicação, ele funciona como um sinal.
Esse feedback coletivo é enviado diretamente aos algoritmos da rede, para treinar e aprimorar seus classificadores de detecção automatizada. Com base nesses sinais, a plataforma reduz drasticamente o alcance do conteúdo nas abas de recomendação e em feeds de usuários fora da rede direta do autor. Ou seja, objetivo aqui é isolar postagens automáticas e repetitivas sem penalizar criadores que usam ferramentas de IA apenas para correções gramaticais ou revisão sintática.
Quais são os principais problemas do AI slop?
Poluição e degradação dos feeds das redes sociais
Primeiramente, a proliferação descontrolada de conteúdos gerados por IA degrada a experiência do usuário nas redes sociais. Já que, ao inundar as plataformas com mensagens genéricas e narrativas repetitivas, o AI slop reduz a visibilidade de produções humanas legítimas. Assim, os feeds, que antes eram voltados para a troca de experiências reais, se transformaram em repositórios de textos superficiais projetados unicamente para conseguir visualizações.
Essa quantidade massiva de lixo digital torna difícil a navegação diária e afasta usuários em busca de conexões autênticas. Além disso, como a criação desses conteúdos tem um custo insignificante, usuários mal-intencionados publicam centenas de posts diários. Dessa forma geram um ambiente cheio de conteúdo irrelevante, comprometendo a usabilidade das redes.
Homogeneização e padronização do pensamento
A utilização generalizada dos mesmos modelos de linguagem para gerar textos acarreta numa padronização na comunicação e nas ideias expostas publicamente. Isto é porque as IAs funcionam a partir de previsões estatísticas baseadas nos dados em que foram treinadas. Por isso elas tendem a favorecer a média estilística e a reproduzir clichês repetitivos. Assim os textos gerados não possuem as sutilezas que um texto autêntico possui, além de empobrecer a diversidade cultural.
Tudo isso acarreta no sufocamento de vozes autorais e na originalidade das pessoas. Já que textos como análises profissionais, reflexões e ensaios, passaram a apresentar a mesma estrutura sintática rígida, o mesmo tom neutro e os mesmos argumentos superficiais. Essa homogeneização enfraquece o debate público e reduz o espaço para ideias disruptivas e visões divergentes.
Proliferação de engajamento fantasma e interações artificiais
Outro grande problema é o surgimento de um ciclo fechado de interações automatizadas. Onde bots interagem com publicações geradas por outros robôs. Assim criando o famoso engajamento fantasma, onde comentários vazios e reações padronizadas são distribuídos em grande escala para inflacionar artificialmente os números de um perfil.
Isso afeta negativamente a métrica de relevância das redes sociais, pois torna quase impossível distinguir o interesse genuíno do público da manipulação algorítmica.
Sobrecarga e poluição dos motores de busca
A geração em massa de conteúdo por IA também afetou severamente a utilidade dos motores de busca na internet. Já que portais e sites caça-cliques utilizam algoritmos para criar milhares de artigos otimizados para os mecanismos de busca em questão de minutos. Consequentemente ocupando as primeiras posições nos resultados de pesquisa com respostas rasas e imprecisas.
Dessa forma, tonando a busca para encontrar fontes primárias, estudos confiáveis e análises especialistas uma tarefa complicada e desgastante. Além disso, a arquitetura atual da web luta para separar a informação útil do preenchimento sintético, prejudicando severamente o acesso ao conhecimento legítimo.
Dificuldade técnica de detecção e falha dos filtros tradicionais
Diferentemente do spam convencional, que apresenta assinaturas técnicas claras e facilmente identificáveis, o AI slop é caracterizado por uma fluência sintática e coesão estrutural aparente. Por conta disso, os filtros normais falham em barrar a entrada desses conteúdos nos feeds e nos índices de busca.
Além disso, como textos gerados por IA soam gramaticalmente corretos à primeira vista, eles não são pegos nos mecanismos automáticos de defesa das plataformas. Para evitar isso é necessário um desenvolvimento constante de novos classificadores e também sobrecarrega a moderação humana, que levam um tempo considerável para distinguir produções legítimas de materiais vazios e repetitivos.
Quais são os riscos do AI slop?
Fenômeno do Colapso do Modelo
Um dos riscos mais graves é a degradação futura das próprias ferramentas de IA, num processo conhecido como “Colapso do Modelo”. Em suma, à medida que a internet é inundada por dados sintéticos, os robôs de coleta que alimentam os treinos das novas gerações de IA acabam coletando o conteúdo gerado por outros modelos.
Esse ciclo de retroalimentação fará com que o sistema treine com as suas próprias falhas e ruídos. Desse modo ele perderá progressivamente a capacidade de reproduzir a complexidade e a diversidade do pensamento humano. Assim, os modelos futuros vão se tornar menos precisos, mais propensos a erros graves e serão incapazes de gerar nuances estilísticas ou conceitos.
Prejuízo ao desenvolvimento cognitivo e raciocínio humano
A delegação excessiva de tarefas de leitura, síntese e escrita para a IA desencadeia um processo nocivo chamado de “descarregamento cognitivo substitutivo”. Isto é porque a escrita não é só um produto final, mas um exercício essencial para a estruturação do raciocínio e para o desenvolvimento do pensamento crítico. Ou seja, quando alguém terceiriza a formulação da suas ideias para a máquina, ele abdica do esforço mental necessário para analisar problemas complexos.
Com o passar do tempo, essa dependência pode acarretar no enfraquecimento das habilidades analíticas e na perda da autonomia intelectual. Assim as pessoas se tornam leitoras e editoras passivas de textos gerados por algoritmos, aceitando conclusões automatizadas sem qualquer questionamento reflexivo. Essa atrofia cognitiva também afeta a capacidade de resolver problemas inéditos e de inovar de forma independente.
Ameaça a integridade acadêmica e publicação científica
A ciência e o ensino superior enfrentam uma crise sem precedentes provocada pela automação da escrita científica através do AI slop. Organizações conhecidas como “fábricas de artigos” (paper mills) utilizam modelos generativos para produzir em massa manuscritos fraudulentos com dados inventados e gráficos sintetizados. Estudos mostram que uma parcela considerável de pesquisas publicadas em revistas internacionais apresenta marcadores de falsificação por IA.
Essa enxurrada de artigos falsos sobrecarrega os revisores e compromete as bases de dados acadêmicas. Quando dados científicos adulterados entram na literatura formal, o progresso da medicina, da engenharia e de outras ciências fica em risco, forçando editoras a retratar milhares de trabalhos e comprometendo a credibilidade de instituições de pesquisa no mundo todo.
Disseminação de desinformação e alucinações factualizadas
A propensão dos modelos de linguagem a “alucinar” — inventar fatos, datas e citações com extrema persuasão — amplia imensamente o risco de disseminação de notícias falsas. Quando o AI slop é publicado sem checagem criteriosa, informações incorretas espalham-se rapidamente pela internet como se fossem verdades estabelecidas.
Ferramentas de inteligência artificial costumam criar referências bibliográficas plausíveis para sustentar afirmações totalmente inexistentes, enganando leitores incautos. A disseminação massiva desses erros corrói a confiança da sociedade na informação pública e compromete a segurança em setores críticos que exigem dados rigorosamente verificados.
Avanço da “Teoria da Internet Morta” e colapso da confiança digital
O avanço ininterrupto do AI slop aproxima o ecossistema digital do cenário previsto pela “Teoria da Internet Morta“. Embora a teoria tenha surgido como uma especulação sobre o controle da web por bots, a realidade atual demonstra que a maioria do tráfego e do conteúdo online já é gerada por agentes não humanos.
Quando os usuários percebem que estão interagindo com perfis falsos e lendo textos sem qualquer toque humano, a confiança nas plataformas digitais desmorona. A internet deixa de ser vista como um espaço de convivência e troca de conhecimentos autênticos, transformando-se num ambiente estéril e desumanizado dominado por algoritmos. Essa erosão da confiança afeta negativamente o comércio eletrônico, as redes profissionais e a comunicação interpessoal.









